Quem já visitou Berlim pode ter visto uns uns conjuntos de pequenas casas e jardins cheios de frutas, flores e, muitas vezes, ornados com anões, garças e sapos de cimento e outros objetos do gosto popular.

Estes são os pequenos jardins, tradução ao pé da letra para Kleingärten. Os terrenos, que variam em torno de 250 m2, são arrendados do poder público ou de particulares para uso como jardim/horta por pessoas que moram em apartamentos e não dispõem de uma área livre privada. As glebas pertencentes ao poder público se localizam, na maior parte das vezes, ao longo das vias férreas, mas também ao longo de ruas e estradas. Tratam-se de áreas de estoque para futuros usos e ampliações destas estruturas.

Os jardins são gerenciados por associações e arrendados a seus membros de forma econômica. Se você não tem seu próprio jardim, você tem a oportunidade de alugar um “pedaço de verde” em uma colônia (gleba parcelada em pequenos jardins) e usá-lo.

Na Alemanha também recebe o nome de Schrebergarten, no século XIX, Moritz Schereber foi um médico que quando morreu deram o nome dele a um campo de jogos. Nas bordas desse campo surgiram pequenos terrenos destes e foram dados para famílias cultivarem. Esses acabaram recebendo o mesmo nome que o campo.

Os pequenos jardins serviram para a cidade congestionada e poluída do século 19. Fornecia alimentos e tirava as pessoas dos seus cubículos abarrotados, das casernas de aluguéis, e os proporcionava o contato com a terra, que fornecia frutas e vegetais aos estratos socialmente mais fracos. Por isso também se chamavam „Jardim do Pobres“, ( “Armengarten”) e desempenharam papel importante na alimentação das populações urbanas em períodos de crise e fome: durante a revolução industrial, o pós primeira guerra e também depois da segunda guerra mundial.

As construções não podem ultrapassar um determinado tamanho e é proibido possuir instalações de aquecimento, podendo ser usadas apenas em parte da primavera, verão e parte do outono. Os aquecedores as caracterizariam como residências fixas.

Mesmo sendo de uso privado, esses jardins são de enorme significado para a cidade nos dias de hoje como:

– estoque de áreas verdes

melhoria climática da cidade

áreas permeáveis

deslocamento de ar

deslocamento de espécies

- oportunidade de lazer para a população que vive em apartamentos

- ocupação para os desempregados, impossibilitados ou aposentados

– Situação atual

Existem 73.030 parcelas em 915 colônias na cidade, que perfazem 2.990,1 hectares, que significam 3% da superfícia da cidade (estado) de Berlim.73.030

As associações de moradores são muito fortes e fazem muita resistência à pressão que o desenvolvimento da cidade vem fazendo, principalmente pelo mercado imobiliário.

O senado de Berlim se esforça por manter, por longo prazo, 79% dos jardins. Os outros restantes deverão ser vendidos para investidores ou usados para edifícios públicos.

Os das fotos são de uma colônia em frente à minha casa, ao longo dos trilhos do trem urbano (Sbahn). Fotos feitas hoje, 27.03.2020.

 

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