A Bauhaus, como é conhecida, ou “Staatliches Bauhaus”, foi uma escola de arte na Alemanha e uma das maiores e mais importantes expressões do que é chamado Modernismo no design e na arquitetura.

Segundo a filosofia da escola, o belo também devia ser prático. Nela foram criados ateliers de arte de: Impressão, carpintaria, tecelagem… Os nomes dos professores ainda hoje são conhecidos e as formas simples e sem adornos que conceberam não só determinaram a arquitetura durante muito tempo, mas o design de muitos objetos que nos circundam até hoje.

Como a escola surgiu e que destino teve?

O arquiteto Walter Gropius foi nomeado diretor da Escola Superior de Artes Plásticas Großherzoglich-Sächsischen em Weimar (Turíngia) em 1919, por sugestão de Henry van de Velde como seu sucessor e deu à escola o nome de “Bauhaus do Estado em Weimar” onde ocupou o cargo de diretor da escola na cidade de Weimar até 1926. Nesta nova escola, artistas e artesãos deveriam trabalhar em conjunto e redesenhar o que rodeia as pessoas na vida quotidiana: Na arquitetura – na construção – tudo devia se juntar.

Após uma mudança nos quadros dos governos locais, a escola mudou-se para Dessau na Saxônia-Anhalt. Em Dessau, o governo municipal daquele momento era de esquerda e estimulou e subsidiou a construção dos novos edifícios da escola.

Walter Gropius permaneceu como diretor até 1928, quando foi sucedido pelo arquiteto suíço Hannes Meyer. A partir de 1930, Ludwig Mies van der Rohe liderou a Bauhaus, mas uma nova mudança ocorre em 1932, desta vez para Berlim, devido à perseguição do recém-implantado governo nazista. Em 1933, após uma série de perseguições por parte do governo nazista, a Bauhaus é fechada por ordem do governo.

A política na Alemanha pôs um fim precoce as intenções da escola. O principal interesse foi a destruição da ideia da Bauhaus. A escola foi considerada uma frente comunista, especialmente por abrigar muitos artistas e estudantes russos.

Assim, antes das caixas de remoção serem enviadas de Dessau para Berlim, foi colocado secretamente um material incriminatório nas caixas para servir como prova de um “instituto bolchevique”. Numa busca da Gestapo encenada de frente à imprensa, a Bauhaus foi então apresentada como o núcleo do bolchevismo.

Já em Berlim, houve uma última reunião do grupo em 1933 no estúdio de Lilly Reich em Berlim. Pouco tempo depois, tiveram lugar buscas e represálias a casas. Os quartos foram lacrados e alguns dos estudantes foram presos.

Apesar da campanha nazista contra a filosofia da escola, esta produziu um impacto fundamental no desenvolvimento das artes e da arquitetura do ocidente europeu. A arquitetura foi o foco principal da Bauhaus, que procurou estabelecer planos para a construção de casas populares baratas por parte da República de Weimar. Mas também havia espaço para outras expressões artísticas: a escola publicava uma revista chamada Bauhaus e uma série de livros chamados; encenava peças de teatro, música e outras.

A arquitetura da Bauhaus moldou as cidades da modernidade como nenhuma outra escola de construção. Na Alemanha, os projetos executados pelos professores da Bauhaus e pelos arquitetos próximos da ideia da Bauhaus são protegidos como ícones arquitetônicos e restaurados.

Na cidade de Dessau pode-se visitar a escola da Bauhaus restaurada não há muitos anos, assim como as casas dos mestres ou Meisterhaus, o conjunto habitacionalTörten, a sede do Depto. do Trabalho e o restaurante Kornhaus.

Em Berlim, encontram-se obras de alguns mestres e alunos, bem como de arquitetos diretamente influenciados pela escola da Bauhaus. Mies van der Rohe e Walter Gropius deixaram obras em na cidade como: a Nova Galeria Nacionale a Haus Lemke de Mies van der Rohe; edifício residencial no bairro Hansa Viertel, Gropiusstadt, conjunto habitacional Siemmensstadt de Walter Gropius e etc. Outros arquitetos como: Bruno Ahrends, Wilhelm Büning, Otto Rudolf Salvisberg, Bruno Taut, Hugo Häring construíram vários conjuntos habitacionais na cidade durante a República de Weimar e 6 deles são tombados como patrimônio da humanidade pela UNESCO.

Fote bibliográfica:

Bauhaus Utopien – Arbeiten auf Papier ; Publicado por ocasião da exposição de mesmo nome, Galeria Nacional de Budapeste, 9 de março a 20 de abril de 1988.

https://www.kulturreise-ideen.de/architektur/bauhaus/Tour-bauhaus-architektur.html

https://www.bauhaus.de/de/das_bauhaus/48_1919_1933/

A Areas Berlin organiza visitas guiadas em Dessau, em edifícios da Bauhaus e oferece também um roteiro por obras de influência da escola da Bauhaus.

Foto destacada: Maristela Pimentel Alves

**Conheça a arquitetura de Berlim e da sua região com quem tem formação em arquitetura e didática para transmitir sua história, suas técnicas, tendências e motivações em uma linguagem acessível a todas/os interessadas/os pelo assunto.

aqui

Maristela Pimentel Alves

Mais sobre Arquitetura e Urbanismo

#AreasBerlin

Para saber sobre a Bauhaus:

16 livros sobre a Bauhaus gratuítos

 VISITAS VIRTUAIS I E II, CONJUNTOS HABITACIONAIS MODERNISTAS

A arquitetura de Berlim e da região mostrada e contada por quem tem formação em arquitetura e longa experiência didática.

 IMG_20160708_152207

Bauhaus Dessau. Foto:MPA

neunational galerie.

Trabalho tardio do arquiteto e ex-diretor da escola Bauhaus em Dessau e Berlim, Ludwig Mies van der Rohe: A Nova Galeria Nacional

Foto: Jörg Carstensen/dpa

Carl Liegetn

Foto: Imago Images/Schöning

Conjunto habitacional Carl Legien em Prenzlauer Berg tem clara influência da arquitetura praticada pela Bauhaus.

04_be_mies_van_der_rohe_haus_garten_roland_rossner_5_06_1_981x715-067b85f95ae94bbg09194c50442faf61

© Roland Rossner
Klassische Moderne par excellence: Mies van der Rohes Landhaus Lemke
https://www.monumente-online.de/de/ausgaben/2007/4/lange-im-besitz-der-stasi.php#.X_SfUxYxk2w
siemens trabalhada
Foto: Maristela Pimentel Alves
Conjunto habitacional Siemensstadt
Projeto do arq. Walter Gropius, fundador da escola Bauhaus